quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Os loucos anos 20

No primeiro dia do mês dos 21 e agora que começo finalmente a adaptar-me aos 20 e a deixar para trás os teen, não poderia deixar de fazer referência a um texto de Daniel Sampaio, publicado em Agosto, na Pública. Basicamente, este senhor começa por fazer referência ao significado dos seus vinte anos, ou melhor, ao significado de ter vinte anos nos sessenta: a emancipação feminina, a luta pela paz e pela liberdade, a contestação à guerra do Vietname e o Maio de 68.


" E agora: o que significa ter vinte anos? Impressiona verificar como tudo mudou e qualquer comparação não se justifica. As discussões actuais sobre se os jovens de hoje são melhores ou piores, ou se sabem mais ou menos coisas, carecem de sentido: são diferentes, e isso é que importa ter em conta. Ter hoje vinte anos significa sentir na pele a precaridade do emprego e a necessidade de estudar mais. Compreender à sua custa o conceito de globalização e o fim das fronteiras rígidas, porque ninguém sobreviverá com sucesso sem conhecer o mundo, com tudo do bom e do mau que hoje nos é mostrado a cada instante. Perceber o fim das utopias que tudo pretendiam explicar, mas ter a certeza de que novas formas de participação cívica estão agora ao alcance de um blogue ou de uma petição on-line. Saber que nada é previsível porque um ataque terrorista pode matar milhares na vida real, ao mesmo tempo que um jogo virtual permite "destruir", com um só gesto, todos os "maus" das nossas estórias. O mundo chega aos jovens de hoje através de um ecrã de um computador e a televisão tradicional em breve será para eles um objecto obsoleto, interessante apenas para pais e avós, Os seus ídolos são variados e os seus gostos heterogéneos, porque o acesso à cultura já não depende apenas da transmissão dos mais velhos, chega-lhes por um sítio na internet ou pelo mail de um amigo. A geração-net (dos vinte anos de hoje) não contesta os valores da sociedade de consumo, como fizeram os seus avós nos anos sessenta. Não adere às utopias revolucionárias de setenta, nem se deixa convencer pelas raivas de noventa: tenta sobreviver no caos à sua volta, lidar com a flexibilidade dos valores que os circundam, procurar um sentido. Ter uma boa casa e um belo carro, não é agora um objectivo primordial: o que interessa é conquistar a autonomia que possibilite encontrar a sua via para a felicidade. Sempre conectados (i-pod, MSN, SMS...), os jovens de hoje são capazes de fazer várias coisas ao mesmo tempo com toda a atenção - aspecto que os professores ainda não entenderam. Como não sabem se o mundo ficará mais estável, vivem cada momento como se fosse o último. Lutam pelas suas causas e constroem os seus valores, mas o perigo está mesmo aí: ninguém sobrevive bem sem passado e sem referências."

Devo dizer que me identifico com as gerações dos sessenta, setenta e noventa; gosto muita da televisão (e da rádio) e não sou propriamente uma entendida no que diz respeito à net. Tenho como objectivo (não o objectivo, mas um dos objectivos) ter uma boa casa e vivo cada momento com moderação. Gosto de conhecer o passado e de ter referências. Mas sim, o meu objectivo primordial está de acordo com o referido: conquistar a autonomia que possibilite encontrar a via para a felicidade.

2 comentários:

smølænsky disse...

São 20.
Raios, são mesmo 20!
Mas que se lixe isso tudo...
Mais do que nunca, nós hoje podemos ser quase tudo o que quisermos.
Podemos ser tudo, e podemos ser nada.
Podemos escolher.
Podemos ser livres livres ou livres presos.

É bom sermos livres!
:)

Anônimo disse...

E são os loucos anos 20...
Com toda a loucura própria da idade e com a certeza que se vive cada momento como se fosse o último (pelo menos gostava que assim fosse!)

É como o Daniel Sampaio diz: "tenta sobreviver no caos à sua volta, lidar com a flexibilidade dos valores que os circundam, procurar um sentido."
E não é nada fácil! A procura é constante e os achados raros... Mas nem por isso a luta é menos válida... Apenas diferente!

=)